09/11/2009

Intolerância: "A coletividade é estúpida"



"A verdade é que não aceitamos o diferente. É capaz de não aceitarmos nem o igual, se ele estiver junto com o diferente. Mas o pior de tudo é que não aguentamos o outro, diferente ou igual." (Felipe Machado)

Com certeza todo mundo está acompanhando o caso da aluna da Uniban.

Primeiro ela foi hostilizada pelos alunos da Instituição por usar uma roupa curta. Agora foi expulsa da universidade que alegou "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna.

Vivemos em um mundo em que absolutamente tudo é motivo para ações violentas causadas pela intolerância: maneira de se vestir ou de se portar, seguir determinada religião, torcer para um time, opção sexual, gostar de um determinado tipo de música, ser de determinada nacionalidade...

A intolerância tem causado violência, conflitos, guerras por anos a fio. E por quê? Por não aceitarmos o outro como ele é? Por que não suportamos ver o diferente, o não tradicional, o que se destaca, seja por sua beleza ou feiura, sua inteligência ou burrice. Por que não conseguimos nos livrar de comportamentos arcaícos manifestados por instintos primitivos, que não condizem com a intelectualidade presente na população mundia hoje em dia?

Por que o que está fora dos padrões nos desagrada tanto?

Não, ela não estava correta em usar uma roupa tão curta no recinto e ainda ficar se aparecendo nos corredores da instituição. Mas ninguém tem o direito de julgá-la ou hostilizá-la por isso. Mesmo que ela fosse uma PUTA, ninguém teria o direito de fazê-lo, principalmente nos corredores de uma "universidade", onde se imagina ter pessoas educadas e de bom senso.

Já dizia minha mãe: "O seu direito acaba onde começa o do outro." Isso não é intolerância é CIVILIDADE.

Abaixo, um trecho de um texto do cantor e compositor Nando Reis sobre a intolerância da Torcida São Paulina contra o jogador Richarlyson. O trecho cabe perfeitamente com vários tipos de situações causadas pelos mais variados tipos de intolerância do nosso dia-a-dia.

...há muito eu já desisti de esperar qualquer coisa dos homens, principalmente quando se reúnem e se manifestam coletivamente. Se a unanimidade é burra, a coletividade é estúpida. Em geral, nos grupos sempre acaba prevalecendo a ideia mais rasa, a superficialidade das opiniões sem autenticidade, dos clichês banais, da incapacidade de um pensamento próprio, da falta de ousadia e da falta de coragem de discordar. Chega a ser engraçado pensar que um bando de seres humanos, covardemente protegidos pelo anonimato da multidão, se deem ao direito de se erguer com bravatas e insultos contra um indivíduo que tem a coragem e a força de não se submeter às convenções. Desses sujeitos diferentes eu gosto, os respeito e admiro.

A cada ofensa que é disparada, fica evidente a dificuldade que existe em aceitarmos aqueles que são diferentes: os extraordinários, os rebeldes, os inconformados, os insubordinados, os que desafiam o senso comum.

Por Nando Reis