18/08/2010

Você é Preconceituoso

"...Ninguém nasce preconceituoso, é uma construção social. E muitas vezes, por falta de crítica, de reflexão sobre esta questão, as pessoas reproduzem isso achando que é natural.
Gustavo Venturi - Sociólogo e Professor de Sociologia da USP

Imagem Blog J11

O programa A Liga, exibido ontem pela Band, explorou o tema “Discriminação” e suas diversas formas de manifestação, dentre elas a discriminação sofrida por homossexuais, negros, soropositivos, crianças com necessidades especiais, entre outros.

Um dos temas explorados pelo programa foi o "Preconceito" que fazemos das pessoas dependendo de sua aparência, cor de pele, comportamento e modo de se vestir.



Preconceito é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminação | discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial" e "sexual". (Wikipedia)

Todos nós somos passíveis de discriminar alguém levados pelo preconceito. Quem, em algum momento de sua vida, não julgou alguém pela sua aparência, maneira de se vestir ou pela cor da sua pele? Eu já.

"Os seres humanos são “avarentos cognitivos” que tentam simplificar e organizar seu pensamento social o máximo possível. A simplificação exagerada leva a pensamentos equivocados, estereotipados, preconceito e discriminação." (Brasil Escola)

O preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência, uma vez que é baseado unicamente nas aparências e na empatia. (Mundo Educação)

Nos vídeos abaixo, a produção do programa "A Liga" escolheu pessoas de diferentes estereótipos, para que um segundo grupo escolhesse entre algumas alternativas, qual seria a profissão da pessoa exibida, julgando a sua aparência física.







Onde você guarda seu preconceito?

Onde está o seu preconceito? Num gesto intolerante, de fúria e agressão, tipo “ataque neonazista”? Ou numa ação velada, na piada intransigente contada entre os conhecidos, em meio a um ambiente amistoso, como se fosse um gesto ocasional e sem conseqüências? Ou, ainda, está guardado num fio do subconsciente, disfarçado de uma falsa “aceitação” às minorias? Onde ele estiver, qualquer que seja a medida do seu preconceito, livre-se dele.


Com causas históricas e culturais, o preconceito nunca se extingue. Em algumas situações pode ate se atenuar, como no caso do racismo, do machismo e da homofobia, hoje considerados retrógrados, inaceitáveis em muitos ambientes. Mas, enraizado, o preconceito se desdobra, ganhando novas formas, de acordo com os valores vigentes na sociedade. Na era do consumo e das vaidades, se insurge contra os pobres e contra aqueles que não se enquadram em padrões estéticos cada dia mais estreitos... E por ai prossegue, formando um rosário de intolerância e rejeição.


Vivemos nos renegando, virando as costas uns para os outros. São sulistas contra nordestinos, moralistas contra libertários, direitistas contra esquerdistas. Subjugamos o próximo mais por uma necessidade de auto-afirmação que, propriamente, por uma atitude de desprezo. É o branco que, ao julgar o negro inferior, se coloca um patamar acima, se sentindo mais confortável diante do infortúnio alheio. É o homem que, ao oprimir a mulher, conquistava mais espaços nos ambientes sociais e trabalhistas.


Mas bem que poderia ser o contrário, a começar pelas próprias minorias. O negro, que conhece a dor do racismo, acolhendo o pobre. O pobre, por sua vez, acolhendo o negro e a mulher. A mulher acolhendo o negro, o pobre e o homossexual... Daí por diante, de modo que o branco, o rico e o macho heterossexual reconhecessem essa harmonia, se integrando a ela, mesmo que por uma imposição cultural, de enquadramento numa nova ordem das relações sociais.


E quando falo em “acolher”, me refiro a algo muito superior à aceitação. Pois, quando nos propomos a aceitar o outro, também nos colocamos um degrau acima, mas ser estender a mão, para que ele alcance o mesmo nível. É, também, uma necessidade de auto-afirmação. Nos sentimos altruístas e, ante as demais pessoas, nos julgamos mais à frente e abertos as diferenças. Contudo, trata-se mais de um gesto de falsa ¨piedade¨ que de harmonia nas relações pessoais.


E você, quais os seus preconceitos e qual a dimensão deles? Reconheça-os, para pode livrar-se destas limitações. Aprenda a julgar as pessoas pelo caráter de cada um, e não por ranços sociais.


No Brasil, a discriminação é crime. Conforme a Convenção 111, da Organização Internacional do Trabalho, a discriminação é toda e qualquer forma de distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidade ou tratamento.

Um bom texto sobre o Assunto : Somos todos preconceituosos